Salve amigos.
Para começar esse post, gostaria de relembrar um trecho de outro post sobre esse mesmo assunto, para que fiquemos na mesma sintonia sobre críticos de todas as artes.
Segue um trecho do discurso de Anton Ego (crítico), do filme da Pixar Rattatouile, que fala exatamente sobre críticas e críticos:
"De certa forma o trabalho de um crítico é fácil. Nos arriscamos pouco e temos prazer em avaliar com superioridade os que nos submetem seu trabalho e reputação. Ganhamos fama com críticas negativas, que são divertidas de escrever e ler.
Mas a dura realidade que nós críticos devemos encarar, é que no quadro geral, a mais simples porcaria, talvez seja mais significativa do que a nossa melhor crítica."
Isso resume o penso de críticos profissionais.
O motivo de meu retorno a esse assunto foi a crítica de título "Deu Ferrugem" da Sra Isabela Boscov para VEJA, crítica essa sobre o mais recente filme da Pixar, Carros 2.
Se o texto todo fosse fundamentado no mais irrefutável argumento humano que é o "gosto pessoal" - eu gostei ou não gostei - eu não estaria perdendo meu tempo para escrever sobre o assunto. No entanto, tudo o que vi foi um discurso intelectualóide, daqueles de jovens executivos em entrevista de emprego - deixa eu mostrar que sei muito do assunto, mesmo que não venha ao caso.
Desnecessário falar de aquisições, fusões, mercantilismo, e outras bobagens corporativas quando falamos de arte. Arte trata-se de gostar ou não, a despeito desses pormenores que pouco fazem diferença em frente a telona. Ela ainda fala da "política Pixar" em não fazer continuações e ousa a dizer que o Toy Story 3 foi "bom, mas dispensável". Ora, como um filme bom pode ser dispensável?
O engraçado é ver a mesma crítica em vídeo no site da veja; perninhas cruzadas, com aquele ar blasé e o botão "eu sou foda" no mode on, no melhor estilo Ruben Ewald Filho - triste, decadente. Fico imaginando a cena: "O que você faz da vida?" "Meto o pau no trabalho dos outros, que eu mesmo, não sou capaz de fazer." Bela profissão.
Você já viu um grande cineasta que virou crítico? Não viu. A maioria jamais foi do ramo, ou se foram, a mediocridade encerrou suas carreiras de maneira impiedosa. Tem José Wilker que é um baita nome da dramaturgia brasileira, mas, que cai na bobagem de navegar por essas águas: "Até tu, Zé?"
No geral é isso aí, gente frustrada descontando sua frustração em quem está sob os holofotes: eita dor de cotovelo que não acaba mais.
E o que mais chama atenção nessa crítica é o estilo urubu. Empresas de sucesso e de vanguarda, que não costumam cometer erros, que é o caso da Pixar, provocam o "efeito urubu"; carniceiros de plantão esperando o mínimo deslize para entrar em ação. Há um prazer sórdido em ver quem é bom sair dos trilhos por parte dessa corja. No caso da Pixar, é engraçado ver como mesmo um filme hipoteticamente ruim é melhor que a maioria dos filmes considerados bons da concorrência; mas você já viu algum crítico se concentrar nos aspectos positivos? Não. São pessoas amarguradas cujos "copos" estão sempre "quase vazios" - pois já passaram do meio.
Quanto ao filme, eu não gostei, e esse é o único argumento válido, já que gosto não se discute, se lamenta. Fã incondicional da Pixar como sou, foi decepcionante a falta de cuidado com a estória. Mas, dei boas risadas e me diverti. O ponto é esse, não é? Não acho que seja uma mancha no portifólio irrepreensível da Pixar, pelo contrário, para mim os demais filmes são muito fora da curva, o que faz com que a expectativa a cada lançamento do estúdio seja cada vez mais alta, e assim, quando acontece um filme mediano - nos padrões da concorrência - a sensação dentro da sala de cinema é, no mínimo, estranha - "será que foi a DreamWorks que produziu esse filme? Não... está muito bem produzido e animado, acho que só o roteiro veio de lá."
Pode ser que dessa vez a Pixar não leve o Oscar de melhor animação, quer dizer, vai ser um páreo duro, já que Rio (do brasileiro Carlos Saldanha e sua BlueSky, que perderam uma grande chance de ficarem quietos) e as demais animações da concorrência são tão ou mais medíocres - lembrem-se, em minha opinião, sem "tecniquês cinematográfico".
Agora, em um ponto eu concordo com a Sra. Crítica da Veja; espero que seja apenas um lapso e que a Pixar não se perca do brilhante caminho trilhado até agora.
Vida longa a John Lasseter e a Pixar, mentes brilhantes em mundo mediano.
sábado, 2 de julho de 2011
Crítica para a crítica da Veja: Carros 2
2011-07-02T04:47:00-07:00
Renato
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