É engraçado assistir duas produções tão diferentes e achar similaridades opostas. Similaridades opostas? Como uma coisa pode ser similar e ser oposta?
Explicando, os dois filmes tem claros problemas de andamento em seus roteiros (timming); um é corrido demais e o outro lento. O que é similar: problema no roteiro. O que é oposto: um é lento o outro corrido.
O andamento de um filme é como o de uma obra musical, tem que ser exato. Há filmes que são rápidos outros mais calmos, mas ser rápido e corrido são coisas diferentes.
Em "Alice no País das Maravilhas" fiquei com essa sensação de correria. Ficou muito claro para mim que era um filme mais longo e por questões comerciais, foi comprimido para caber em uma hora e meia. Conhecendo e gostando da obra de Tim Burton, correr com o roteiro nunca foi visto em seus filmes tão claramente (nem músicas de ídolos teen como Avril Lavigne); Burton costuma contar a história a seu tempo e com filmes longos ou curtos, cativa como poucos a audiência. Então, tem cara de intervenção da Disney na obra - apesar de ser fã da empresa, todos erram em algum momento.
O roteiro não é ruim, mas a história é "vomitada" e quando você se dá conta, o filme já acabou. A direção de arte e efeitos especiais em contrapartida, são espetaculares. É um belo filme e, mais importante do que tudo, é muito divertido.
Já "Robin Hood" em contrapartida é lento. Na verdade não é lento inteiro, mas tem altos e baixo o que deixa o filme cansativo. Começa bem com uma boa cena de batalha e depois fica um bom tempo patinando, o que faz com que o espectador se perca em seus pensamentos mais profundos. Depois retoma um passo interessante e termina bem.
Ridley Scott é um grande diretor, com uma extensa lista de clássicos. Seu primeiro grande épico foi "Gladiador", que marcou o início de uma grande parceria com Russel Crowe (quase tão boa quanto a de Tim Burtom com Johnny Depp) e foi um sucesso estrondoso. Ainda produziu o bom "Cruzada" com Orlando Bloom, nesse mesmo gênero. Mas foi a primeira vez que vi Scott errar feio no andamento do filme a ponto de perder minha atenção.
Ainda assim, achei "Robin Hood" um grande filme. A direção de arte, locações e figurinos são perfeitos. A fotografica do filme é, na falta de outra palavra, fantástica. É um filme que faz o uso consciente da computação gráfica, ou seja, muito pouco. Há cenas grandiosas em "live action", com pessoas e cenários de verdade, o que deixa o filme ainda mais rico. Nada de exércitos de pessoas duplicadas por computador; foi tudo feito ali na frente das lentes.
A história mostra um "Robin Hood" antes daquele que conhecemos, ainda com o nome pré fama "Robin Longstride". Podemos vê-lo lutando ao lado do Rei Ricardo "Coração de Leão" e com uma forte participação política na Inglaterra quando a mesma precisava se defender contra a invasão francesa. Como seu país vira as costas para ele por duas vezes, nasce o "Príncipe dos Ladrões" como o conhecemos; aquele que vive à margem da lei para ajudar os mais necessitados.
É uma grande produção, uma bela história e um grande elenco.
Sim, a imagem de Robin Hood com Kevin Costner ainda é forte, e é difícil se acostumar com esse novo "Robin Gladiador" de cabelos curtos. Mas nada disso atrapalha, aquele que volto a insistir, é o propósito maior do cinema: a diversão.
Disclaimer:
Se há um nome técnico para o que chamo aqui de "andamento", por favor, guarde para si. Tenho raiva de pessoas usam nomes técnicos para dizer que não gostaram de um filme.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Papo de Cinema: Alice e Robin Hood
2010-06-01T11:29:00-07:00
Renato
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